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Sabedoria quase chinesa

se alguém não te alimenta
inventa
uma manhã de sol
fruta fresca
chá de hortelã
pra despertar a alma
com calma
porque o dia apenas começa
e o amor não combina com pressa



Escrito por célia musilli às 10h43
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Apagando os traumas

Desde cedo sofro com o excesso de educação. Sempre fui de pedir desculpas, dizer “com licença” e “muito obrigada”. Minha mãe era firme neste sentido, de modo que cresci sem querer desagradar aos outros e fazendo tudo direitinho. No primeiro dia, no Jardim da Infância, pedi uma borracha emprestada, tinha chegado ali meio sem graça, com cara de cachorro que caiu da mudança, e o mau-humor de uma coleguinha japonesa, que me disse um solene “não”, caiu como uma pedra de gelo no copo do meu peito.

 

Só respirei aliviada quando outra menina me emprestou a borracha e  não me contive, comentando de um jeito tímido e meio babaca para a japonesa do gelo: “Tá vendo como ela é mais boazinha que você!” O que valeu outro olhar raivoso e me deu a sensação de que tinha dito a segunda besteira do dia. Na verdade, sempre me achei uma boba com meu excesso de educação e deferência, com minhas atitudes “maduras” quando era ainda uma pirralha que nunca fazia birra, nem bancava a chata ou egoísta, como a maioria das crianças.  Acho que o excesso de adequação acabou dando um nó dentro de mim. 

 

Na adolescência consegui ser mais rebelde. Comecei a me sentir segura para falar ou escrever sobre o que me desse na telha, principalmente escrever, que era uma forma de me vingar da minha babaquice individual e do grupo. Irreverente, fui reconhecida nesta fase como uma espécie de líder do bando, usando argumentos que me pareciam inteligentes e agindo como quem “sabe o que está fazendo.”  Fui a primeira a fumar e a transar, as outras vinham atrás experimentando o que eu já havia feito, mas eu ainda me continha num excesso de educação, preferindo , por exemplo, ser ofendida a ofender, desdobrando-me em gentilezas mesmo quando encontrava tipos nada gentis pela frente. Não entendia nem imitava os adolescentes que tiravam sarro de tudo, zombando de pessoas na rua ou de colegas da escola. Minha ética nunca me permitiu passar por cima de ninguém e acho que nisto existe uma dose necessária de respeito ao próximo  Mas, por outro lado, na hora de me safar de problemas também acho que me faltava auto-defesa.  Talvez por isso, tenha aprendido a retrucar as coisas por escrito ou ponderar demais nas discussões com argumentos que podem até ser bons, mas aos quais faltam uma dose de agressividade que às vejo nas pessoas que sabem, solenemente, mandar quem lhes desagrada para o inferno, saindo de cena com a sensação de vitória de quem não perde tempo com gente medíocre.

 

Hoje, avançando na maturidade, costumo dizer que ainda acabo como “uma velha louca”. E louca quer dizer, simplesmente, redimensionar as relações entre mim e o mundo, fazendo as coisas sem excesso de zelo, gentileza ou educação.  Embora ache, às vezes, que o que falta ao mundo é exatamente Gentileza, como pregava aquele “profeta” de grata lembrança que saia às ruas do Rio distribuindo flores no meio do caos.

 

Ainda hoje, os amigos íntimos brincam comigo imitando minha voz meio infantil, acham-me excessivamente delicada, me dando a impressão de que nunca vou me curar do comedimento e dos meus gestos “educados.” Mas sinto-me feliz quando vejo nascendo em mim a “velha louca”, aquela que não vai estar nem aí para a opinião dos outros, fazendo o que tiver vontade sem passar recibo da fragilidade de quem, ao longo da vida, tentou não magoar ninguém, numa atitude que às vezes me cheira à baixa auto-estima. Alguém aí pode me dizer se baixa auto-estima tem a ver com isso? Com esta quase incapacidade de ser objetiva quando deveria soltar os cachorros em cima de quem merece?

 

Se eu não fosse tão educadinha lá no Jardim da Infância, deveria ter dito pra aquela coleguinha japonesa: “Enfia  a borracha no...” Bem, agora vocês sabem onde eu deveria ter “apagado” os traumas...rss.



Escrito por célia musilli às 15h06
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Quase um samba

 

acordei com saudade

querendo te ver outra vez

querendo o carinho

que um dia você me fez

antes de ir trabalhar.

 

fico pensando se a gente 

ainda vai dar no mar

que atende pelo nome de Amor

cedendo ao desejo de amar

 

                              

                            beijos da tua Nega



Escrito por célia musilli às 21h44
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Foto-montagem  enviada por Lacques Jacan 

 

Tesão e repressão na Idade Mídia

Não vi nada demais no vestidinho da Geisy e acho que o desejo da horda era arrancá-lo

 

Não ia dizer nada sobre a estudante que foi expulsa da Uniban. A Geisy já está muito “falada.” Falam bem e falam mal desde que ela resolveu ir à faculdade com aquele vestidinho rosa-choque e saiu “abraçada” com o pelotão de choque, sob o risco de ser linchada porque mostrou as pernas.

Eu não ia dizer nada. Estava me segurando porque não agüento mais estes confrontos que alvoroçam a mídia e depois acabam em pizza, como aquela história do bispo do Recife que excomungou uma garota de 9 anos que abortou depois de ser sido estuprada. O caso foi parar nos jornais e, depois do alvoroço, todo mundo voltou à rotina, quem sabe à missa, com as velhas cabeças empoeiradas e cheias de sentenças.

 

Mas diante da decisão da Uni(tale) Ban de expulsar a Geisy, não dá pra ficar quietinha. Sinto cócegas na língua e o silêncio pesa. Então vamos lá, sem tentar abordagens sociológicas, quero apenas dizer que o que fizeram com esta moça fere um princípio elementar: o de cada um fazer o que gosta, vestir o que gosta, viver como gosta.

Acho que ela jamais imaginou naquele dia, em frente ao espelho, enquanto se vestia para ir à faculdade e depois curtir a balada, o que “causaria” nos invejosos de plantão porque ousou ser livre e usar um vestido do tamanho que considerou apropriado aos seus desejos. Porque as pessoas se vestem para se embelezar, para atrair, para serem desejadas, por que não? Ou para se esconder em dias em que não estamos a fim de exposição. Roupa é também um emblema , um estado de espírito, que a gente veste ou despe para comunicar alguma coisa.

Nudez, no país do carnaval, deixou de ser mistério há muito tempo – o que até lamento – mas também não pode ser vista como pecado ou sem-vergonhice, antes como "entretenimento.". Afinal, as crias fogosas do Brasil “liberal”  estão todas por aí: a Mulher Samambaia, a Mulher Melancia, a Sabrina Sato que os invejosos de plantão lambem com os olhos. Mas como são mulheres da televisão, mulheres da Marquês de Sapucaí, as celebridades estão fora do alcance, não têm a vulnerabilidade das Geisys que viram saco de pancadas  e de insultos porque são anônimas.  

 

Assim, mulher comum que se veste de forma “inadequada” , merece ser chamada de puta em coro alto, numa execração coletiva que resume a violência  de um apedrejamento verbal. Estavam lá, aqueles rapazes e garotas de classe média, cansados de ver coxas e bundas, unidos para um ato medíocre de desrespeito à individualidade da Geisy. O que me dá náusea é pensar que a horda é universitária, formada por pessoas que tem um mínimo de informação sobre direitos e liberdades. Mas resolvem fazer o papel medíocre de censores e guardiões de bons costumes que eles mesmos burlam na primeira oportunidade de “pegar” uma fêmea para consumo.

 

Ou alguém acredita que aqueles rapazes e moças que ofenderam Geysi jamais encararam uma farra, um ato “ilícito”, um comportamento que não se exibe na sala de TV ao lado de papai e mamãe?

O que os atingiu foi a sensualidade da moça sem máscaras sociais, sem inibição de mostrar as pernas como uma bandeira ao prazer. Mas a sexualidade feminina, na cabeça da horda, deve permanecer oculta para que não provoque a sua libido e sua incapacidade de expressão sexual.Trata-se então de uma horda de reprimidos que na primeira oportunidade quer esmagar a libido alheia, porque não assume o próprio tesão. E tesão reprimido ou disfarçado vira uma bomba de energia nefasta e  mal distribuída, uma carga explosiva de desejos insatisfeitos que nos mostram a face nauseante da Idade Mídia, em que a moral é um escudo falso de intenções mal resolvidas.

 

O que a horda fez foi uma catarse fortalecida na falsidade dos bons costumes. Na primeira oportunidade, aqueles rapazes e moças vão atrás do trio elétrico esfregar as genitálias ocultas pelos abadás. Porque no carnaval pode, mas na faculdade, pelo menos a olhos vistos, o corpo é tabu e quem rompe a barreira merece ser linchado. Deus nos livre do tesão reprimido desta gentinha. E , se querem saber, não vi nada demais no vestido da Geisy. Sem decote, com mangas largas, era apenas um vestido curto que, afinal, mostrou o quanto é curta a mentalidade da nossa pobre juventude universitária. 



Escrito por célia musilli às 11h23
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Tenho sete vidas

Ontem caí de uma escada no Museu Histórico. Na saída, depois de ver as belas fotos de George Craig Smith, desci um degrau e faltou o chão.Então descobri que o tornozelo é dobrável e que difícil é desdobrá-lo. Um guarda veio ajudar, eu fiquei ali, sem saber se ria ou chorava. Até que levantei, sacudi a poeira, dei a volta por cima. Voltei para casa dirigindo.

Mais tarde percebi que o tornozelo inchava como um balão. Liguei para a Jack, que apareceu como a fada-madrinha, e me levou ao hospital. O médico pediu raio X. Sempre achei curiosos estes aparelhos que mostram o avesso da gente. O avesso do meu pé é um conjunto de ossinhos, no “negativo” parece uma tela abstrata e enquanto eu via aquela obra-de-arte dolorida, lembrei de uma benzedeira da minha infância. Quando alguém se machucava, Dona Irene pegava linha e agulha  e num pedaço de pano costurava tudo de novo, colocando as coisas no lugar:  osso partido, nervo torto, músculo doído. Lembrei da sua conjuração. Sabe-se lá que santos costuram pele e osso.

 

Meu pé não estava quebrado, mas o médico queria “engessar para imobilizar.” Eu não quis. Não sou mulher de viver engessada, muito menos com uma pedra no pé. Prefiro atirar pedras do que carregá-las, ainda que não seja para machucar ninguém, mas só pra  ver os círculos se formando dentro d’água. Prometi ao médico que ficaria quietinha, sem gesso. Sem caminhar, sem dirigir, sem movimentos bruscos. Só faço movimentos bruscos quando me assusto, no mais, prefiro andar como os gatos, deslizando pra passar despercebida. Sobre os machucados dos nervos, acho que doem, mas os do coração doem mais. Ban-daid não adere ao coração, este músculo de aparência forte e sentimentos delicados. Cristal de Flandres que trinco e colo. Nunca fica igual, mas me orgulho das cicatrizes de vidro nos seus espaços líquidos. Quem sente, trinca. Quem vive, se quebra.

 

Hoje não saio de casa. Fico aqui, pé ante pé, até reencontrar o equilíbrio. Osso quebrado, nervo torto, músculo doído é coisa que só entende quem sente. Nos outros não dói. Na semana que vem, volto a subir no telhado sem medo. Tenho sete vidas.



Escrito por célia musilli às 12h07
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Difícil é acertar as contas com o destino. Então, como diz Leminski, " o que vier eu assino."



Escrito por célia musilli às 22h25
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O adeus a Lévi-Strauss

Claude Lévi-Strauss completaria 101 anos no próximo dia 28. Mas a  notícia de sua morte chegou antes, ele faleceu no último dia 31. Ainda que tenha sido longevo o suficiente para deixar uma obra monumental, ele pertenceu a uma parcela da humanidade que deveria ser eterna. Homens assim sempre fazem falta.

 

Nascido em Bruxelas, Lévi-Strauss foi um dos principais pensadores do século 20, criador da Antropologia Estruturalista que começou  investigar o homem  sem fazer distinção entre nativos e civilizados. Para ele, todo homem tinha igual valor, integrando qualquer etnia ou sociedade.

Refutando o dogma de que a civilização ocidental é privilegiada, ele passou mais da metade da vida estudando os índios americanos. A partir destas pesquisas fundamentou o Estruturalismo, valendo-se das experiências vivenciadas nas viagens ao Brasil-Central, observando a racionalidade e a cultura das tribos para valorizar a “filosofia indígena.” Deste trabalhou nasceu, entre outros livros, “Tristes Trópicos”, uma de suas obras fundamentais.

Durante suas andanças pelo Brasil, Lévi-Strauss visitou o Norte do Paraná, em 1935. Na época, Londrina nascia como a cidade de colonização mais rápida do planeta, exuberante como um território coberto por florestas subtropicais que, em pouco tempo, sucumbiram a um projeto de “civilização” implantado pelos ingleses da Companhia de Terras.

A visão deste Eldorado e de como os europeus usufruíam de suas riquezas, obedecendo à mentalidade do “progresso” capitalista, chamaram a atenção de Lévi-Strauss que não deixou de registrar aquilo que viu, escrevendo em tom crítico sobre o Norte do Paraná e a colonização de Londrina :

 

 

(...) no fundo dos vales, as primeiras colheitas, sempre fabulosas

nessa ‘ terra roxa ’, violeta e virgem, germinavam entre os

troncos das grandes árvores jacentes e as cepas. As chuvas de

inverno se encarregariam de decompô-las em húmus fértil, o qual,

quase de imediato, seria levado de roldão pelos declives, junto

com o outro que alimentava a floresta desaparecida, cujas raízes

fariam falta para retê-lo. Quantos anos levaria, dez, vinte, ou

trinta, até que essa terra de Canaã adquirisse o aspecto de uma

paisagem árida e devastada?”

 

Bastaram pouco mais de quatro décadas para que sua “profecia” se cumprisse. Nos anos 70, a Canaã tomada pelas plantações de soja - depois do ciclo do café - exibia um cansaço na forma de erosão que se mostrava como veias abertas por onde escapou muita vida. Hoje, aqui e ali pequenos trechos de mata testemunham que sobraram no Paraná menos de 5% de florestas. A maior parte foi arrancada pela força bruta de um processo em que a ganância conta mais que o homem.

Olhar para a vida, o homem e a terra de modo integral é uma das lições de Lévi-Strauss que deixa uma espécie de conhecimento sensível cada vez mais raro, como se o pensamento fosse pequenas áreas de floresta.

 

 

"Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele". (Claude Lévi-Strauss)



Escrito por célia musilli às 17h59
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Instruções para o arrebatamento: entregar-me ao dia como se fosse o último....



Escrito por célia musilli às 09h26
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Salve a dita cuja!

Aos desavisados seu nome pode parecer muito popular: Dita. Mas se vocês pensaram em Benedita, erraram. No caso, estamos falando da stripper  Dita Von Teese que se veste como uma pin-up, com roupas justas e saltos altíssimos. No seu currículo ela traz um namoro rompido com o cantor Marilyn Manson e se define como uma “artista burlesca.”

 

Na arte ou fora dela, ela faz aquele tipo que entorta a cabeça dos homens e está no Brasil para uma festa do licor Cointreau. Très chic, vai aparecer no evento dentro de uma taça de bebida. Na verdade, mergulhada em água morna para que sua pele não fique vermelha. Branquíssima e de olhos azuis, Dita é uma reedição da femme fatale numa versão para o século 21, com o charme anacrônico que só as mulheres muito sofisticadas conseguem manter. Nestes dias em que as fêmeas da espécie dispensam os vestidos, andam com mochilas e calçam coturnos, alguém como Dita até parece uma alienígena.

 

Tenho com ela um ponto em comum: não uso jeans... e se guardo duas ou três peças deste tipo no guarda-roupa, elas voltam para o esquecimento toda vez que penso em vesti-las e, arrependida, troco por uma saia. Não me visto como uma pin-up – nem deveria - mas nunca entendi por que as mulheres contemporâneas trocaram saias por calças. Sempre considerei um privilégio poder andar por aí com as pernas ao sol. Temos a pele lisinha, ao contrário dos machos peludos, e exibi-las é uma exaltação à feminilidade, no meu ponto de vista.

 

Por mais que algumas mulheres se contorçam de inveja de alguém como Dita, eu, sinceramente, admiro quem consegue recolocar a feminilidade em seu devido lugar e quero dizer no corpo e fora dele, no mercado de trabalho ou numa festa. Emancipação para mim não tem nada a ver com a extinção do feminino, com o abandono das pérolas falsas, o esquecimento das sedas e das echarpes. Às vezes, suspeito que as mulheres até engrossam a voz para serem respeitadas, querem ser homens em sua ilusão de poder e eficiência. Advogadas e juízas que conheci, por trabalharem num universo dominado por senhores sisudos durante muito tempo, reproduzem comportamentos rígidos e às vezes conseguem ser mais ditatoriais que seus pares masculinos, metidas em tailleurs fechados e carregando pastas como uma insígnia profissional. Retratos de um tempo duro.

 

Acho que não precisamos de tanto, garotas! Não precisamos viver como a Dita, mergulhadas numa taça de champanhe ( se bem que se eu pudesse, adoraria), mas podemos ter voz modulada, pernas depiladas, usar vestidos e dirigir como Penélope charmosa. Me entusiasmo com o feminino. Acho graça em ser mulher e poder agir como tal.

 

Femmes fatales podem parecer anacrônicas e a própria Dita Von Teese diz que não vai ao supermercado vestida como uma pin-up, este figurino é apenas o marketing dela. Mesmo assim, mexe com homens e mulheres quando aparece nas ruas com seu batom básico, vermelho-sangue, e olhinhos pintados. É que a sua beleza resplandece e os fãs da dita cuja, agradecem.

 

Para mim, ela só tem um defeito. Quando lhe perguntam quem são os brasileiros que mais admira ela cita Paulo Coelho. Mas se redime ao citar também Carmem Miranda, a nossa Dita Von Teese dos tamancos e balangandãs.



Escrito por célia musilli às 19h39
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Portal Selvagem

Ontem não estava fazendo nada quando encontrei um vídeo  d’O Pensador Selvagem, portal que reúne informações e blogs de várias tendências. Eu o encontrei no youtube, na mesma lista que traz vídeos de Felix Guattari e Gilles Deleuze. Mistura fina!

 

Entrei pra comunidade d’O Pensador onde há seções de Arte e Entretenimento, Ciências e Humanidades, Vida e Estilo (ops! O Selvagem não é tão selvagem assim...)

 

O endereço é www.opensadorselvagem.org

 

Fica uma amostra do que vocês podem encontrar por lá: 

 

Acabará o amor romântico. Só tesões instantâneas e fugazes. A fome de mais prazer esgotará a sexualidade e buscará complementos eletrônicos e virtuais. Haverá hiperorgasmos, tão fortes que esbarrarão nos limites do corpo e viverão mais além deles, sozinhos - orgasmos sem corpo, orgasmos gemendo no ar. O desejo cessará por excesso de sexualização.

 Leia mais em  http://blogapocaliptico.blogspot.com/ 

  “Toma um fósforo. Acende teu cigarro”. Reza a lenda que na primeira edição de seu livro de poema, Augusto dos Anjos, sem dinheiro para mandar imprimir a capa, fura o dedo e com o sangue escreve “Eu”, ao que temos o título do livro, ao que temos um rosto de papel e sangue para o livro. Este tipo de expressão pré-moderna pode parecer um pouco dramática, porque insistimos a ver no sangue um organismo e não uma imagem, e, sobretudo, não vemos o sangue como uma cor. Mas apenas a cor do sangue. Não poderia ter Augusto dos Anjos escrito “Eu” com batom? Não poderia Augusto dos Anjos ser apenas um colorista, cuja fonte pictórica seria obtida com dor?

Leia mais em  http://cesarkiraly.opsblog.org/

Também tem poemas, contos e crônicas no blog Sindicato dos Escritores Baratos http://sindicato.opensadorselvagem.org/



Escrito por célia musilli às 11h18
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o vento é bom poeta

só precisa de umas pétalas

para fazer um jardim



Escrito por célia musilli às 13h28
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Trupe de "As Mulheres de Leminski" com o diretor Elimar Plínio Machado, a quem damos muito trabalho...

 

Poesia e música

Hoje acontece mais uma edição do Sarau Poesia, Prosa e Outras Delícias, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103), a partir das 20 horas. O ingresso é um prato de doce ou salgado, o que justifica o nome Outras Delícias...hummm....

Na programação desta quinta tem o resultado dos cursos On Stage de Elimar Plínio Machado, shows de poesia e música dos Benditos Energúmenos e Radicais Livres, reapresentação do recital “As Mulheres de Leminski”, no qual vou estar com a trupe fazendo leituras poéticas. Depois das apresentações, o microfone fica aberto a manifestações espontâneas. Esperamos vocês!



Escrito por célia musilli às 16h38
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No princípio era o verbo

 

 

o que fazer

quando te quero tanto

e não posso, no entanto,

transformar

em pele, carne, linfa

a tua ausência

que me faz te amar

no verbo

de todas as línguas



Escrito por célia musilli às 22h58
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chove intenso

como a casa no vazio

tu já não me entregas teu rio

 

http://www.youtube.com/watch?v=jFBJ3U2uvN8



Escrito por célia musilli às 20h04
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Livros, livros à mão cheia...e manda o povo pensar

 

Gostei da abertura da Feira de Livros do Sesc. Salas lotadas, um bom público para ouvir os poemas, jovens recém-premiados num concurso de crônicas interessados nos textos.

 

A ambientação está bonita, com uma árvore feita em madeira e trechos de Os Sertões, de Euclides da Cunha, transpostos para a linguagem dos quadrinhos em grandes cartazes, num trabalho coordenado por Eloyr Pacheco.

 

Fiz uma fala, li o poema “Artista” que escrevi para meu filho Fernão e comecei a sessão de autógrafos (acho esta expressão meio pedante, mas vamos lá...) Então, me surpreendi com a quantidade de pessoas que pedem os livros de graça. Fiquei pensando que não existe ainda formação para se entender o livro como um produto cultural e ficamos com a sensação de que escrevemos um “brinde”. As pessoas querem o livro como uma camiseta de promoção ou uma amostra de shampoo.

Não sou mesquinha com livros, quero mais que circulem e, fazendo as contas, acho que dei mais livros do que vendi, desde que os publiquei. Por outro lado, se as pessoas compram cerveja, sanduíche, sabonete, bicicleta, o escambau, por que não compram livros? Os meus não chegam a ser caros. Afinal, não sou Paulo Coelho e não posso cobrar R$ 60,00 pelas histórias das “Verônicas que decidem morrer” e que acabam vendendo feito água.

 

Naturalmente doo livros às bibliotecas dos lugares por onde passo ou a algumas pessoas por razões especiais, amizade, consideração, troca. Autores trocam muitos livros. E não quero que as pessoas a quem dei livros espontaneamente pensem que a bronca é com elas...longe disso.

Mas não chego às livrarias pedindo: “Me dá um livro aí..” E ainda que a atitude reflita um desejo, não me parece um desejo batalhado, talvez mais um hábito, uma mania, um vício. Brasileiro adora brinde, mas livro é um produto cultural, que demanda trabalho e energia, razão e emoção para ser feito. E grana também. Por isso os autores têm que vendê-los. Mas também não me recuso a dar os livros. Só que estou pensando em ganhar a vida de outro modo. Abrir uma butique de sutiãs e calcinhas. Pelo menos ninguém vai chegar na loja pedindo: “Me dê um sutiã...autografado.”

 

Não estou me lamentando, nem ofendida. Apenas observando a realidade cultural do País. E há coisas muito boas, como esta feira de livros que vai movimentar a semana. Amanhã estarei lá, de volta, e devo comprar um livro para meu filho Guga que ficou vidrado num volume de uma série juvenil que ele adora. Também vou integrar uma mesa que vai debater o tema “Crônica, um Gênero Brasileiro.” Vão me fazer companhia os jornalistas Paulo Briguet e Wagner Costa, teremos como mediador o escritor e historiador Edson José Holtz. Acho que vai ser bom. Apareçam.



Escrito por célia musilli às 10h56
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