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A mulher com a “flor no peito”

Clarice, a mulher “com a flor no peito” (em latim lis pector), tinha “olhos de piscina”, segundo alusão do poeta Mário Quintana, aproveitada por Rubem Braga numa crônica.
Li a maior parte de seus livros, assim como obras sobre sua vida e literatura: “Clarice, uma vida que se conta”, de Nádia Gotlib (Ática, 1995), “Clarice, uma biografia”, escrita por Benjamin Moser, com excelente tradução de Jose Geraldo Couto (Cosac Naify) e os Cadernos de Literatura Brasileira 17/18 (Instituto Moreira Salles) que trazem, entre outras coisas, depoimentos de jornalistas e escritores que trabalharam com ela no JB, como Alberto Dines e Ferreira Gullar. Quando escolhi o tema da dissertação de Mestrado, não optei por Clarice, apesar de alguma intimidade com sua obra. Escolhi uma autora relativamente desconhecida, Maura Lopes Cançado que, soube depois, Clarice admirava como contista, foram contemporâneas na redação do Jornal do Brasil, nos anos 60. Maura, exímia contista de fato.

No livro de Aparecida Maria Nunes soube como Clarice se comportava na função de jornalista, como se esforçava, em certa medida, para aprender as técnicas dos textos para a imprensa. Dona de estilo literário muito próprio, nos jornais não podia incursionar pela metafísica ou, em linguagem simples, não podia “viajar” com irrestrita liberdade. Também não podia ser existencialista na imprensa, território de objetividades por excelência. 
Apesar disso, Clarice tinha um modo peculiar de entrevistar pessoas, como fez com o cronista Carlinhos de Oliveira, a quem encontrou no restaurante Antonio’s, no Rio, trocando com ele bilhetes. Ficaram ali mudos, enquanto se desenrolava a “entrevista” e imagino a atmosfera de cumplicidade que resultou, dizem, numa ótima conversa. Lembrei-me também de um relato sobre seu encontro com Hilda Hilst, em que ficaram completamente silenciosas durante mais de uma hora, fumando, olhando uma para a outra. Duas autoras esplêndidas, duas fumantes esplêndidas, duas mulheres sagradas. Continuo atenta às coisas que escrevem sobre elas. Mulheres-esfinge que a gente olha por vários ângulos, vários gêneros: romance, poesia, texto jornalístico e um dia descobre, pela profusão de títulos que não param de ser publicados, que ainda há muito a ser dito. Coisas que os pesquisadores investigam de frente, de costas, de lado. Fotografias multifocais, enquanto as esfinges ainda deixam perguntas sem resposta. 
Seguem quatro vídeos da célebre entrevista de Clarice à TV Cultura.
Lis pector, uma flor de voz rouca, língua presa, sotaque estrangeiro e linguagem cósmica.

1
http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok#at=103
2
http://www.youtube.com/watch?v=zjQ5PSEOd1U
3
http://www.youtube.com/watch?v=Oi9XkmVTwcg

Foto: Clarice Lispector com a máquina no colo. Em casa, ela escrevia assim, com os filhos pequenos em volta, numa entrevista justificou: "não queria escrever isolada, para que eles não tivessem uma mãe ausente."



Escrito por célia musilli às 21h36
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Volto a atualizar o blog! Bem-vindos à minha casa de palavras!

 

ela ave ela voa ela nave ela via 
ela vulva ela vulnerável lia 
em sânscrito: 
“a lua de magritte é uma fêmea de sílex 
que só põe ovos de noite”
na suspensão da palavra
nasce a beleza da pedra

(Célia Musilli)
Imagem: René Magritte - The Blank Page (1967)



Escrito por célia musilli às 20h10
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