Meu Perfil
BRASIL, Sul, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Informática e Internet



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 márcio américo
 mário bortolotto
 chacal
 domingos pellegrini
 antonia pellegrino
 escritoras suicidas
 carlos muzilli
 xico sá
 Psicotramas
 ademir assunção (pinduca)
 guga
 meu antigo blog
 fernanda borges
 rubem alves
 sérgio ranalli
 marcos
 museu
 fernanda
 mara
 altair de oliveira
 leo
 marilena
 Lili
 jorge again
 daniela
 roberto
 angel cabeza
 beto lins
 ana ramiro
 rubens pillegi sá
 cláudio
 fernando stratico
 fernando blues
 márcia do valle
 Dia do Nada
 rodrigo garcia lopes
 ana peluso e mário
 Carina Paccola
 Djalma Santos
 Caixinha de Pandora
 flavio2
 gabriel
 novidadeiras
 outros poemas
 rosangela
 ana luísa
 carlos II
 rubio medina
 Oficina do pensamento
 paola
 Lívia
 Yuri
 karen
 luiz aquino
 celina
 sônia marini
 pedrita2
 maga2
 marília kubota
 moacy
 rafael2
 Tim
 fernando blues2
 Bruka Lopes
 Amar
 Kity2
 Liliana - music
 márcio pimenta2
 Miller
 Roberto Queiroz2
 Luiz Valcazaras
 Elektra
 E-Lectra Comunicação
 Roberto Queiroz (mídia)
 samantha abreu
 rubens molina
 Roberto Queiroz (literatura)
 Antonio Mariano Jr
 Ferrez
 Andrea Del Fuego
 Cássio Amaral
 Deise Maia
 Marco Jacobsen
 dungeon
 Odisséia Literária
 Ana Peluso
 Diversos Afins
 Beatriz Bajo
 Estado Anarquista
 Apocalipse Motorizado
 camila
 rodrigo souza leão
 Mulher e Futebol (marina)
 maurício arruda mendonça
 chico assis de mello
 zilma santos
 liseu de matedi
 Vila Cemitério de Automóveis
 Que goze o inconsciente
 Onde Está o Óleo
 caetano veloso
 duda bandit2
 maicknuclear
 Neuza Pinheiro
 Armadilha Poética
 O Pensador Selvagem
 Comunique-se
 Ariel Palacios
 psicorama
 Mar Arável
 Carpinejar 2
 Cínthia Verri (Matando Carpinejar)
 Mário Quintana
 Ana Peluso 2
 Miguel Sanches Neto
 Stella
 Jamille Abdallah
 Blog do Guga (my sun)
 marcele aires
 Simone Petry
 Digestivo Cultural
 Espaço Michel Foucault
 Fernanda Pompeu
 Livia2
 Pietro Nardella Dellova
 Camille Claude
 As ilusões, não as verdades
 Zé Celso Martinez Correa


 
 
sensivel desafio


 

Um conto colado

Ana tem um amante com quem mantém longas conversas por torpedo. A escrita se materializa na telinha e quando a mensagem chega, o toque é um fetiche. Um dia, peguei o celular de Ana, juntei as pedrinhas e surgiu um mosaico. Nem um dramaturgo seria capaz de peça tão breve. As falas são deles, a colagem é minha.

Ana: “Dá vontade de desaparecer para aquele território do nunca mais. Nunca entendi sua quase perversidade em me deixar à deriva em coisas simples...

Antônio: Hoje o dia amanheceu como se ontem não passasse de ontem...Que bom! Vamos ao hoje com uma gota de esperança dum amanhã.

 

Ana: Quero te pedir para nunca alimentar meu “desespero”. Diga “não sei”, é mais confortável. Eu sei que sou frágil na minha loucura.

Antônio: bjbjbjbjbjbjbjbj bjbjbjbjbjbjbjbj bjbjbjbjbjbjbjbj

 

Ana: Quando chove/abro minha caixa de palavras/ madeira leve/ incenso desprendendo aroma/ a casa transformada em Roma/ e Dionísio não quer me amar/ ele não vê mais o meu vestido azul/ meu poema de viés tocando um blues/ Dionísio nem mesmo sabe/ que o amor se move/ só enquanto chove...

Antônio: A pele que habito é lâmina na alma.

 

Ana: Meu dilema é te encontrar ou não mais te encontrar. Há formas de manter o sonho na realidade e a realidade no sonho. Mas aí fico pensando, o que vamos fazer com todo aquele erotismo?

Antonio: Mas há encontro onde um empurra o outro e o leva em sua linha de fuga, numa desterritorialização conjugada (Deleuze) 

 

Ana: Você já viu a lua hoje?

Antônio: Hoje, na rua, uma menina no colo da mãe olhou e viu a lua com um brilho tímido. Imediatamente ela lançou os braços para o céu. Sua mãe disse: “tem coisas que a gente não pode alcançar, a lua é uma destas coisas.” Dito isso a menina chorou um choro que me cortou o coração.

 

Ana: Um ato de quase chegar perto/ quando me dizem/ “não toca aí é proibido” / mas musiquei com as cordas/ celebrei com as musas/ estive com os anjos/ aqueles tortos/ antes os inconfidentes/ que os mortos/ é tarde para evitar altura/ e não pegar desvãos/ eu era pássaro e já sabia/ coração

Antônio: Beijo alado do passarinhU!

 

Ana: Chegou aí uma foto e um verso de um vestido imaginário enrolado até a cintura? Tinha rosas no vestido...

Antônio: Ah! O seu vestido, é como encontrar um brinquedo, a brincadeira.O que importa tá no meio.

 

Ana: Você vem no sábado?

Antônio: “Dai-nos hoje a fome cotidiana.” (Bachelard). Amém!

 

Ana: Dai-me hoje o beijo cotidiano, amém!

Antônio: No sábado, Ulisses não poderá voltar à Ítaca.

 

Ana: Fico triste, Ulisses, na corda bamba, todos ficamos.

Antônio: Você sabe, nem em Ítaca temos garantias, ao passar algum tempo, Ulisses sempre deseja nova viagem.

 

Ana: B.........................................................J

Antônio: B....................................................J  



Escrito por célia musilli às 21h08
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 

De Maria para João

 

Preciso te encontrar agora, assim mesmo mexida, com a terra revolvida, os pilares tortos, um abalo sísmico de 7 graus na escala Richter para ver como se comportam nossas defesas diante da quase tragédia, do dramalhão de novela, da história de amor que tem seu enredo, tão feliz quanto patético. Uma briga assim não há de passar em branco. Retornei aos bilhetes, alguns mal escritos no ímpeto de salvar a pátria, a pátria de um amor que você nem chama de amor que é para ocultar o nome do que não pode ser dito em vão.

Amor nesta perspectiva deve ser um deus irado, destes que não perdoam, que pedem uma tranqüilidade responsável, quando somos todos irresponsáveis, à beira de um ataque de nervos, provando nossa humanidade. Nas cheias dos meus olhos, lágrimas  dançam um solo de piano, às vezes de sax pungente. Depois de superar o impulso de amaldiçoar memórias, coloco na xícara um pouco mais de açúcar e bebo o afeto destes dias atravessados. Engulo um ódio adoçante.

Às vezes, sou tão imediatista que devoro calendários, quero adivinhar o futuro, saber se há um porto depois dos naufrágios, um salva-vidas, uma esperança, um movimento leve como as borboletas, um local para repousar e deixar que o vento espalhe as dúvidas como grãos de areia, tão ínfimos quanto penetrantes.

Você faz de conta que não sente.  Desfila um olhar blasé como aquele seu jeans despojado, um toque de eterna juventude onde a maturidade faz vincos, eu te aliso, aliso e  te adivinho absorto em si mesmo, sempre ensimesmado pelas mesmas revoltas, doçuras e  danação de amor, aquele que não se entrega e põe no ar os pássaros da ilusão que me tiram do sério. Estaremos juntos de novo? Ou viramos para sempre a esquina e deixamos os ecos dos passos dos que perderam o paraíso?

 



Escrito por célia musilli às 11h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 

"Não sou mais a mesma pessoa. Quem me encontrar saberá que experimento as delícias da falta de recato, vou ao sétimo céu do meu corpo e me lanço às estrelas, com a cabeleira da Via Láctea solta no meu travesseiro, entre as sutilezas do meu sonho inacabado, com este ar blasé de quem levemente desacredita de tudo e - nos desfechos - não manda flores nem velas, apenas pega outra estrada como se esta odisseia nunca tivesse começado.

Não sou mais a mesma pessoa. Mulher é sempre um recomeço." 

(Fragmento de "Uma mulher de passagem", Célia Musilli in "Todas as Mulheres em Mim"/ 2010)

Foto: Ces’t moi



Escrito por célia musilli às 13h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 

Era pássaro

 

um ato de quase chegar perto

quando me dizem

"não toca aí, é proibido"

mas musiquei com as cordas

celebrei com as musas

estivei com os anjos

aqueles tortos

antes os inconfidentes

que os mortos

é tarde para evitar altura

e não pegar desvãos


eu era pássaro e já sabia

coração 



Escrito por célia musilli às 17h47
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 

Eva e a serpente (James White)

 

 

Censura: tem sido assim desde Eva

 

Nunca minha página no Facebook ficou tanto tempo bloqueada. Desde ontem, quando tento acessá-la, aparece o aviso: “Página temporariamente bloqueada por questão de segurança.” Interessante isso acontecer quando estou participando de uma manifestação pela livre expressão do nu na rede social. Acaso? Melhor consultar o horóscopo.

Fui bastante cuidadosa ao alertar os amigos sobre a estranha ocorrência, não saí disparando que era censura. A paranóia é tão perniciosa quanto o boicote. Mas também não me engano sobre o formato “wasp” do Facebook e suas regras moralizadoras. Foi esta mesma rede social que puniu e suspendeu pessoas por postarem em suas páginas a tela  “A Origem do Mundo”, de Gustave Courbet, que mostra de forma realista uma genitália feminina. Esta é apenas uma ocorrência, entre tantas. 

Meus posts  de divulgação do evento “Um dia no Facebook, só nus” nem chegaram a “tirar  a roupa.” Estava reservando o strip-tease para o dia da manifestação coletiva no FB: 12 de março, quando serão postadas coletivamente, em massa, imagens e textos sobre o nu.

Nos últimos dias, estava mais preocupada em fundamentar o discurso pelo nu, mostrando que existe censura quando se aborda o corpo como obra de arte ou de protesto, enfim, como instrumento de mudança. É isso que incomoda. Se postasse vídeos de adolescentes rebolando a “dança da garrafinha” ou um clipe do “ai, se eu te pego” do Michel Teló, nada aconteceria, corpo e sexualidade avacalhados são permitidos, o erotismo massificado não dói, tem por aí às pencas e não mexe com o establishment. Sinto-me nostálgica e imensamente moderna ao retomar um discurso quase anos 70 sobre o nu...porque percebo que o mundo não mudou. O que incomoda é dar “corpo” à nudez, dar ao assunto alguma consistência, iniciar debate, provocar reflexão.

Nossa manifestação no Facebook começou como uma proposta de livre expressão – tendo em vista os cerceamentos – e também como um questionamento que convida as pessoas a pensarem que lugar o corpo ocupa na contemporaneidade. Quais os olhares que podemos lançar sobre o nu? Porque a nudez é uma obra aberta, de sentidos múltiplos. Ainda hoje o nu é totem e...tabu.

Quando insisti em acessar minha página no Facebook, o recado do bloqueio desdobrou-se em outro aviso, vinha assim: “Conta bloqueada por questão de segurança”....”Seu computador está infectado por vírus.”  Quando acessei do computador do meu filho, o bloqueio se manteve, ou seja, todos os computadores que uso estariam infectados. Deve ser infecção por...palavras.

Só lamento precisar utilizar as redes sociais por uma questão profissional, é nelas que divulgo parte dos meus textos. Inevitável. Também lamento correr o risco de perder a página e os quase dois mil contatos que mantenho na minha lista. Estas são as perdas sentidas. No mais, trata-se apenas do sistema e de uma velha senhora chamada “censura” se remexendo nos túmulos. Não se enganem, ela não morreu...Mas vamos em frente, porque o mundo gira. Tem sido assim desde Eva.

 

P.S. Agradeço às pessoas que estão me apoiando e também àquelas que estão distraídas.

 



Escrito por célia musilli às 10h35
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]