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Tríade

O projeto Tríade foi aprovado pelo Promic - Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina. Trata-se da publicação de três livros que compõem uma caixa. Um dos livros terá textos meus, em prosa poética, os outros dois poemas de Edra Moraes  e Beatriz Bajo, com quem participei de vários saraus na Vila Cultural Cemitério de Automóveis  juntamente com Alexandre Horner, Samantha Abreu, Rodrigo Garcia Lopes, Herman Schmitz, Maurício Arruda Mendonça e Christine Vianna, coordenadora do espaço e uma das idealizadoras do projeto Tríade.

Acho que no segundo semestre teremos o lançamento dos livros, com leituras de textos em Londrina e outras cidades.  Tríade traz a poética feminina na voz de três autoras. 

Fica uma amostra: 

 

Quero falar chinês, javanês, árabe, gaulês, português arcaico, todas as línguas vivas e mortas. Encontrar vocabulários não é para qualquer um, há pulsações. Preciso de um exercício dadaísta para descobrir sentidos obscuros. Quero todas as estéticas e as linguagens , a poesia e a prosa, o sentido arrancado à força dos esconderijos para compreender, afinal, o que vai dentro de mim, já que não posso decifrar o outro. Há sentimentos maiores que as frases e as sílabas, há sentimentos que não cabem em parágrafos, há sentimentos que extrapolam as letras, corrompem vírgulas, atropelam pontos.

 

Há sentimentos para os quais teríamos que inventar  códigos impossíveis. Destes que riem e choram.  Seu peso viola a lógica da contenção e do transbordamento. Sinto-me tão ocidental quando tento me exprimir com palavras, que rio de mim como se fosse um cão a perseguir o próprio rabo, quando ele gira na dança dos dervixes. Sentir é um transe. É diferente de decifrar emoções em código e repetir: amor âmago amordaçado ausente antigo antagônico êxtase errante eletricidade erótica coruscante cristal cravo desejo ardente cítara sutil afresco hiato incandescente sem saída

 

Sentir é como ver o mar e uma entidade pungente naquela engenhosidade líquida. Impraticável mecânica. Ninguém consegue tocá-la, parar seu movimento, quem dirá... dizê-la. Querem saber? O sentimento é como o mar, nos lambe e devora, como a língua de um grande deus insondável e quântico.



Escrito por célia musilli às 14h03
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Não quero mais ser um tango

Crônica dedicada às mulheres de desejos colados e corações partidos

 Atingi a iluminação ou seria a insurreição? Só sei que, em matéria de amor, saí do mapa das ilusões perdidas e peguei um rumo só meu: não sofro mais. Percebi há alguns anos que gastei todo meu estoque de lágrimas,  ficaram os poemas, alguns piegas, outros cheios de inspiração. Mas depois de sacar band aids, mercúrio-cromo, anestesia, ansiolíticos, me enrolar em ataduras, chamar o SOS da desilusão, o CVV dos corações partidos, o SAMU dos desejos machucados, não sou mais a mesma. Aprendi a sair mais leve, linda e solta das relações que um dia me fizeram querer zarpar para a Antártica, naquele barco que a gente nunca sabe se volta.

 

De repente, descobri que não desejava mais enredos de bolero, mais que isso, não queria ser um tango, para viver de amores perdidos, rimas derretidas, confidências secretas. Ultrapassei a faixa dos amores vividos e dos amores bandidos, cruzei o semáforo no vermelho, como quem vira a página de um livro, louco para ver onde vai dar a história, com o desprendimento de não forçar o início nem segurar o fim.

 

Querendo ou não, deixar o romantismo excessivo é uma prerrogativa da maturidade, dá a sensação de abandonar o ventre da mãe. Ouçam isso meninas: de repente, o cordão umbilical se parte e a gente se sente livre e feliz para respirar sozinha. Quando crescemos - nem sei bem se é esta a palavra - há um certo alívio por ter nosso próprio abrigo à prova de balas, sem ser atingida por bombas, granizos, tempestades. Mulheres passam metade da vida procurando príncipes e engolindo sapos. Até conseguir sair de fininho num barco anfíbio.

Claro que a gente nunca pode desdenhar dos artifícios do amor, sua atração de lua, sua soberba de sol que nos espia nas frestas, enquanto juramos que ouvimos pássaros. Mas, que pássaros?

 

Um dia descobrimos que todo amor tem começo, meio e fim. Já será uma ousadia passear de mãos dadas por seus corredores, até aquela poltrona onde, enfim, descansamos de pernas pro ar, como quem faz a siesta, tomando um café e, ainda que não fume, dando baforadas num cigarro imaginário. Só para ver os círculos do passado subindo, se desprendendo, como um anjo que cumpriu sua missão, nos devolvendo a paz dos desencanados em vez dos “desenganados” do amor. 

 

Façam as contas: quantos amores vocês tiveram na vida? Noves fora, amor pra valer se contam um ou dois, três no máximo. Quase sempre aqueles que duram mais tempo. No mais, é a luta da desilusão, o boxe do faz-de-conta, o nado sem borboleta, a olimpíada sem tocha, o voo sem asa, a invenção de cada dia, para que a vida tenha alguma graça. Não me arrependo dos amores inventados, os que criei como enredos de filmes, fazendo diálogos, concebendo personagens, minhas Sabrinas açucaradas, meus clones de Baudelaire, rumbas e tangos, como quem vive eternamente numa calle de Buenos Aires.

 

Mas quando dei por mim, tinha aderido ao surf, quase sem perceber peguei outra onda, mais feliz, como se, finalmente, me livrasse das ilusões perdidas, para tirar férias no Havaí, onde não há tristeza que resista a um bom mergulho no ...pacífico. Cruzei o mar, não quero mais me afogar em mágoas. Descobri que a iluminação é a insurreição. Como não? 



Escrito por célia musilli às 12h42
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Alice não mora mais aqui

 

 

Mudo de Londrina na próxima quarta-feira, 17, vou morar no interior de SP. Como vocês sabem, o destino de vez em quando nos pega pela mão e não solta. É uma roda-viva, um redemoinho que aparece e nos leva.  

Desde já, carrego a saudade na bagagem. Vou ter que me acostumar com outro céu, sem as estrelas escandalosas daqui , e com uma noite onde vou demorar para encontrar amigos tão irreverentes, “indecentes”, sensíveis e criativos. Para mim, o melhor de Londrina sempre foi sua paisagem humana.

Nos últimos 25 anos tive a sorte de morar em todos os pontos cardeais desta cidade, no sul e no norte, no centro e nos bairros. Flertei com suas avenidas, me vi no Lago Igapó, seu espelho d’água, nadando como a yara, a favor ou contra a corrente, dentro e fora de mim. 

Por coincidência, destas que não se explica, sempre morei nos lugares por onde passam os aviões e me lembrei, cotidianamente, da valsa “Londrina”, de Arrigo Barnabé, que retrata tão bem a cidade cabocla-cosmopolita (“Olha o avião!”), filha da mata, embalada por fluxos urbanos. 

 

Levo de Londrina seu melhor cartão-postal: o de cidade-arte, que me ofereceu música, teatro e poesia, linguagens que me contaminaram em medidas diferentes e formam o caleidoscópio por onde passam minhas escolhas. Apesar de distante, mantenho aqui minhas atividades, voltando para os eventos culturais sempre que me chamarem e escrevendo as crônicas na Folha aos domingos, porque escrever é extrapolar os limites, inclusive os geográficos.

 

Sou ligada a Londrina pela palavra. Passei boa parte da minha vida aqui, como jornalista, e acho que acabei poeta graças aos meus amigos “indecentes”, de quem vou me lembrar nas noites etílicas, quando vejo discos voadores, ouvindo “London, London.”  Talvez eu tenha a sorte de uma nova cidade me tomar pela mão e não me sinta órfã. Por ora, sou despedida e saudade.

 

Na última quinta-feira, me despedi dos amigos no Cemitério de Automóveis onde, nos últimos anos, estacionamos nos dias de festa para ler poesia. Às vezes a vida desce leve como cerveja ou inconciliável como nos versos de Cecília Meirelles: Ou se tem chuva e não se tem sol,/ ou se tem sol e não se tem chuva!/ Ou se calça a luva e não se põe o anel,/ ou se põe o anel e não se calça a luva!/ Quem sobe nos ares não fica no chão,/ quem fica no chão não sobe nos ares./ É uma grande pena que não se possa estar/  ao mesmo tempo nos dois lugares!”

 

Mudar de Londrina é como sair “emprestada”, dizer que um dia volto é desnecessário. No fundo, acho que nunca fuiiii... Embora Alice não more mais aqui.

 

http://www.youtube.com/watch?v=6rCPQ9SupPA



Escrito por célia musilli às 13h54
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 Tela de Henri Matisse

A arte é a mais puta das mulheres

 

 

A arte é a mais puta das mulheres. Se dá nas praças e nos teatros, se dá nos circos, se dá como um alvo para o atirador de facas. A arte é uma bailarina descalça, sem pudor de exibir a intimidade, os vãos dos dedos, as longas pernas que nos fazem saltar de continente em continente. 

A arte usa as máscaras da dramaturgia, finge sentimentos, expõe emoções, retira as vísceras da platéia.

 

A mim interessa o corpo e a alma da arte, não sua moral. A mim interessa sua beleza, seus olhos de Madame Butterfly, a feminilidade da sua Casa de Bonecas, os figurinos de black-tie, seus strip-teases. Me interessa, sobretudo, sua velocidade, mesmo quando leva nossos desejos num bonde e  trafega na Broadway e no Piccadilly Circus, na Opéra Bastille e na Praça Roosevelt, na Avenida Corrientes e nas ruas sujas de Havana.

 

A arte é a maravilha que nos leva a uma viagem intimista, quando as luzes se apagam e a vida ganha contornos de irrealidade, enquanto sonhamos os sonhos de Fellini. A arte são páginas da literatura com direito ao avesso da história, porque a arte é nossa memória. 

A arte é a sutileza das gravuras da China,  o esplendor de Matisse, a convulsão de Dalí. É a  tristeza de Billie Hollyday e o arrebatamento lírico de Jessie Norman. Plumas e pássaros na garganta.

 

A arte me abstrai e encanta, em linguagens que me deixam em transe como a pitonisa que vê o futuro nas ruínas gregas. Cassandra ensandecida em Tróia, antevendo o trágico, saltimbanco nas festas de Roma, revivendo o mágico, bacante que se apaixonou por Dionísio.  

Paisagem vasta, a arte, a arte me arrasta, como a mais puta das mulheres dançando nos cabarés, misturando as línguas, oferecendo amor a qualquer preço, fazendo sexo para recriar o mundo.



Escrito por célia musilli às 20h53
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Êxtase nº 5

 

 

Fecho os olhos devagar

Gozo em sânscrito 

Com voz rouca

(Que louca!)

 

Enquanto o sexo brinca

De derramar o mel na língua 



Escrito por célia musilli às 20h28
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